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Opinião

Especial Oscar: Orgulho, jornalismo, amor e crítica social Fique por dentro dos filmes indicados ao Oscar 2018

24 de fevereiro de 2018

Continuando nosso Especial Oscar, conheça os outros quatro filmes indicados na categoria de Melhor Filme.

Por Giovana Gomes e Hanna Queiroz

O destino de uma nação

GIF: Giphy

6 indicações ao Oscar:

Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Maquiagem e Cabelo

Hanna:

Complementando Dunkirk, esse filme conta parte do governo de Churchill como primeiro-ministro britânico durante a Segunda Guerra Mundial. Ele possui teor biográfico e busca enaltecer Churchill e suas atitudes durante a Guerra. A melhor homenagem possível é a atuação de Gary Oldman, que constrói um personagem simpático, explosivo e com peculiaridades, como sua dificuldade na fala. Essa dificuldade é mostrada no filme com a presença de uma datilógrafa que acompanha Churchill em todos os seus discursos, representando o orgulho e a esperança que o povo britânico depositava no primeiro-ministro. A direção de fotografia e de arte trabalham o tempo todo com sombras e tons escuros, estampando a tensão que combina muito bem com o momento vivido pelo país.

Giovana:

Foi o segundo filme entre os 9 indicados a Melhor Filme que fui assistir e confesso que eu tava empolgadíssima. Eu não tinha visto nenhum trailer, prefiro não ver mesmo. E um baque: O Destino de Uma Nação não é exatamente um filme em que minhas expectativas coloridas seriam tão correspondidas. É um filme com uma pegada bem pesada e como a Hanna disse, em tons escuros.

Na sua metade eu pensei em parar e ver uma sériezinha mais tranquila. Aí eu pensei: é, realmente, o Churchill era uma pessoa complicada. O filme, o ator, a direção, estão sabendo trazer isso pra nós. A história como um todo não é fácil de engolir. Negociações, problemas internos delicados, resistências, jogos políticos. E conclui que na verdade estava gostando daquilo, fiquei cada vez mais imersa. Vale a pena. E meus parabéns pra Gary Oldman, merece muitas palmas pelo trabalho feito.

 

The Post

2 indicações ao Oscar:

Melhor Filme, Melhor Atriz

Hanna:

Outro filme que enaltece um episódio real é The Post. Dessa vez, a homenagem vai para um dos maiores jornais do país e seu serviço público de denunciar as mentiras do Governo sobre a Guerra do Vietnã. Criticando a repressão do governo e defendendo a liberdade de imprensa, Ben Bradlee (Tom Hanks) faz o estereótipo do jornalista dos anos 70, ávido por uma boa história para escrever.  Enquanto isso, Kay Graham (Meryl Streep) representa a dificuldade das mulheres em serem respeitadas no mercado de trabalho.

De todos os filmes indicados, esse foi o que menos gostei. O filme é confuso nos primeiros quarenta minutos, o elenco e a sinopse prometem muito mais do que na verdade dão. Ainda assim, é um filme com uma reflexão importante para o momento político que o Brasil está vivendo: o que a imprensa deveria estar fazendo?    

Giovana:

Vim só pela Meryl Streep. Mentira! Embora meu amor por essa atriz seja enorme e faça eu querer assistir qualquer filme em que ela apareça, o que esse filme representa também me agradou. Dramas são meu gênero favorito, e esse aqui envolvendo jornalismo e a força da mulher então, tinha tudo pra virar um dos meus favoritos da vida. Não, não chegou a esse ponto.

Mas eu achei um bom filme. Acredito que ele cumpriu o que parecia ser um dos principais objetivos de Steven Spielberg, o diretor: trazer um diálogo sobre a responsabilidade da mídia, mesmo em torno dos diversos dilemas pessoais dos personagens. Curti os enquadramentos e as conversas. Inclusive, uma cena do filme virou uma das minhas cenas favoritas, ainda que o filme não. Por todo o peso que ela carrega e história também. Sem querer dar spoiler, mas só pra contextualizar rapidinho: é uma cena em que a Kay Graham (Meryl Streep), precisa tomar uma decisão profissional muito importante, estando em volta de vários homens. Nos anos 70. Pode imaginar né?

Me chame pelo seu nome

GIF: Giphy

4 indicações ao Oscar:

Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Cançao Original

Hanna:

Favorito para o oscar de melhor roteiro adaptado, Call Me By Your Name pareceu agradar muito, e com toda a razão. A trama se passa nas férias de verão de Elio, um garoto de 17 anos, que se apaixona por Oliver, um colega de seu pai que fica um período hospedado na casa da família. O romance é como o verão: intenso, caloroso e rápido. O filme tem pouca ação e a câmera foca o tempo todo nos pequenos gestos e nos detalhes da adolescência. É fácil se identificar com Elio. A questão da sexualidade, as primeiras experiências e o apoio da família são as reflexões profundas que o filme nos presenteia. O apoio do pai, a intimidade e o afeto do casal trazem uma nova maneira de colocar a questão LGBT em cena: normatizando-a.  

Giovana:

O ator de Elio, Timothée Chalamet — indicado ao Oscar como Melhor Ator — tinha aparecido em Lady Bird também, mas foi nesse filme em que ele foi o protagonista, que me apaixonei por sua atuação. Não posso deixar de dizer que do começo pro meio achei um pouco mais parado do que eu costumo gostar, e também senti arrependimento por não ter lido o livro antes. Já estava acreditando que ia me decepcionar por completo. Mas não foi isso que rolou não.

Obviamente não assisti todos os filmes sobre amor, mas acho que Call Me By Your Name contou sobre ele e sua descoberta como poucos fizeram. É natural. Só acontece. Com neuras sim, com preocupações, inerentes ao ser humano. Mas ao mesmo tempo tão orgânico e refrescante, sua simplicidade me encantou. E tem uma cena em especial também que me ganhou completamente, mas não vou contar dessa vez, você vai ter que assistir. Ah, e os figurinos hein? Quero todos.

Três anúncios para um crime

Imagem: reprodução

7 indicações ao Oscar:

Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante (2 indicados), Melhor Roteiro Original, Melhor Montagem, Melhor Trilha Sonora Original

Hanna:

A minha torcida do Oscar vai pra esse filme. É um suspense bem construído, pois você começa o filme achando que a história se passará em torno da investigação do assassinato de Angela Hayes, mas, lá pra metade do filme vem a desconfiança de que essa resposta não será respondida. Apesar de se concentrar em Mildred Hayes, o filme possui três personagens principais, o que pode ser uma analogia com o título do filme. Dois deles são policiais, nos quais o diretor Martin McDonagh não economiza críticas sociais. Abuso de poder, preconceito e violência são expostos de maneira ácida, com direito a uma lição de moral inesperada. Não ache que “três anúncios para um crime” responderá alguma pergunta, pois a intenção do filme é mesmo levantá-las.

Giovana:

Queria destacar a atuação de todos os envolvidos, fez muita diferença nesse filme. Entre todos os indicados a Melhor Filme, foi o que eu mais me surpreendi com a forma como os atores e atrizes construíram seus personagens. Além disso, a trilha sonora também é incrível. Sem esquecer do assunto que rodeia o enredo, mais do que o assassinato de Angela Hayes: a visão conservadora e o discurso de ódio presente em uma parcela significativa da população dos Estados Unidos, principalmente. Mas tal crítica é feita maneira implícita, através de diálogos ácidos e provocadores. Levando em consideração a situação atual de lá, acredito que Três Anúncios Para Um Crime mereça a estatueta, pra levantar cada vez mais essa discussão política e social que é tão necessária.

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