Ilustração dança.
Cotidiano

Dançar é sentir

16 de abril de 2018

Por Gabrielli Silva

Comecei a pensar no que a dança significa pra mim, milhares de pensamentos e sensações vieram na minha mente, mas nada que eu conseguisse transmitir em palavras. Talvez compartilhar um pouco das lembranças possa ajudar a entender um pouco do que eu sinto.

A dança sempre esteve presente na minha vida, mas a primeira vez que ela passou a ser algo além de diversão, foi quando eu tinha de 3 pra 4 anos e comecei a fazer ballet. Desde então, a frase: “não posso, tenho ensaio” passou a fazer parte da rotina durante grande parte da minha vida.

Eu gostava muito das aulas, mas as apresentações eram o ápice de dançar. Hoje, entrar em um teatro ou assistir uma apresentação de dança faz com que todos os sentimentos me invadam novamente.

As apresentações de final de ano eram grandes eventos, eu contava os dias para subir no palco. Não lembro ao certo o que senti a primeira vez que subi em um palco para dançar, mas posso dizer que nunca me senti tão bem na minha vida quanto eu me sentia nos palcos.

Estar no palco era estar completa, era ser verdadeiramente eu, mesmo que em algumas coreografias eu tivesse que interpretar algo que eu não era. Dançar era sentir.

Apesar de toda a pressão de estreia e o medo de errar, eu sabia que estava no lugar certo, quando, minutos antes da coreografia começar, eu sentia um frio na barriga e parecia que meu coração ia sair pela boca a qualquer momento.

Meu ritual de colocar a mão no cantinho do palco, rezar baixinho pra que tudo desse certo e desejar merda – que é como se fosse boa sorte, porque acreditamos que desejar boa sorte dá azar – para as pessoas ao meu redor parecia infinito, o frio na barriga só aumentava e o medo de que algo desse errado era desesperador.

Mas, quando eu entrava no palco, ouvia a música e via aquela plateia escura – que mal se podia ver os rostos das pessoas – tudo se acalmava e então era apenas eu e a dança.

Enquanto eu atravessava o palco no ritmo da música o tempo parava e por alguns minutos tudo parecia bem. Meu peito se enchia de alegria, parecia que meus pés mal tocavam o chão, a sensação era parecida com voar, mesmo que eu não saiba qual é a sensação de voar.

Os aplausos ao final afirmavam que tudo tinha ocorrido bem e também me traziam de volta a realidade. Meu coração então se acalmava e eu era invadida por uma paz inexplicável.

Já faz alguns anos que os palcos não fazem mais parte da minha rotina e sinto falta todos os dias de cada uma dessas sensações. Mas a dança continua aqui, em cada lembrança, em cada música que eu ouço ou em cada festa que eu vou, a dança continua aqui, num lugarzinho especial, dentro de mim.

Quando danço eu sinto profundamente com cada centímetro da minha alma. Dançar é quando minha alma, que a maior parte do tempo fica enclausurada, se sobressai e ninguém mais pode contê-la.

Foi então que eu entendi, a dança é isso, uma parte de mim. A dança sou eu e eu sou a dança.

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