Braço de mulher tatuada com xícara de café na mão
Reportagens

Tatuagem: livros vivos são arte? A relação do gesto de tatuar com o tempo, a sociedade e a subjetividade

10 de abril de 2018

“Quero ficar no teu corpo feito tatuagem

Que é pra te dar coragem

Pra seguir viagem

Quando a noite vem”

(…)

-Chico Buarque

Não se sabe ao certo quando a primeira tatuagem surgiu, mas seus primeiros registros datam de 2000 a.C. no Egito. A evidência: foram descobertas inscrições no abdômen de mulheres mumificadas, possivelmente simbolizando elementos para a fertilidade da mulher. Não sendo este o único significado histórico da prática de tatuar, ela já simbolizou conceitos diversos, como em Roma, entre 509 a.C. e 27 a.C., onde as inscrições no corpo eram utilizadas para identificar hierarquias e em 707, quando, na Europa, por ter sido relacionada à adoradores satânicos, chegou a ser proibida pelo então papa.

No ocidente, depois desse recesso, a tradição foi redescoberta por um navegador inglês em sua expedição à Polinésia, na qual registrou o costume de homens e mulheres pintarem seus corpos e chamarem essa atividade de “tatau”. Hoje, quase 300 anos depois de seu reaparecimento, a tatuagem ainda pinta corpos diversos, mas domina um grupo em particular.

Mãos tatuando um braço
Foto: Pixabay

De acordo com o 1º Censo Brasileiro de Tatuagem, realizado pela Revista Superinteressante, os principais adeptos dessa prática são jovens entre 19 e 25 anos. Crescendo no país, este é um ambiente que abre espaço para um número cada vez maior de tatuadores jovens.

Naomi Trimmer Murahara, de 21 anos, tem a tatuagem como hobbie e profissão. Filha de um tatuador, ela conta que buscou na tatuagem um meio de expressar sua “arte de uma maneira que ela se espalhasse bem entre as pessoas.”

Mas, afinal, a tatuagem se enquadra no termo arte?

Para Naomi, “a arte é a expressão do artista transformada em algo que consiga atingir seu público e que seja original e único”. Tatuadores que usam desenhos autorais, como ela, “criam um estilo próprio muito bem definido, conseguem ter uma coerência entre uma tatuagem e outra, ou seja, cada tattoo realmente vira uma obrinha de arte na pele!”

Seu ponto de vista confirma que tatuar vai muito além de rabiscar o corpo. Imprimir uma marca em outras pessoas requer, além de treino, envolvimento psicológico. Como retratado no filme de 1996, “O livro de cabeceira”, em que uma menina japonesa tem o corpo desenhado por seu pai a cada aniversário que ela completa, a pele é papel onde se imprimem sentimentos. Por essa razão, Naomi também acredita que “tatuar pessoas envolve muita pressão e, por isso, o emocional precisa estar saudável”.

Poster do filme "O livro de cabeceira"
Foto: Divulgação

E mulher? Pode tatuar?

O ramo da tatuagem envolve, principalmente, relacionamentos: pessoas interagem entre si e desenvolvem um produto a partir de sua mútua escolha. Assim, homens e mulheres tendem a conviver num ambiente que, inevitavelmente, sofre influências diretas de gênero. Quando perguntada se já sofreu algum tipo de preconceito por ser mulher e tatuadora, Naomi revela que, por trabalhar em um setor com profissionais majoritariamente do sexo masculino, apesar de não ter enfrentado situações de preconceito em seu emprego, a pressão é constante.

Quer conhecer o Instagram de tatuagens da Naomi? Segue aqui agataviralata_tattoo

Fontes: otempo e revistagalileu

 

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