refavela 40
Opinião

Show Refavela 40: o melhor lugar do mundo é aqui Em cima do Palco Brasil: um clima de família e de muita troca

14 de junho de 2018

Por Giovana Gomes

Viva Refavela 40, Viva Gilberto Gil! Viva João Rock!

E foi assim que nesse último sábado, dia 09 de Junho, na 17° edição do festival de música João Rock , o show “Refavela 40” — o nome vem do álbum “Refavela”, “um disco negro para todas as cores”, de Gilberto Gil, que comemora 40 anos — começou.

Moreno Veloso, filho do nosso Caetano, Anelis Assumpção (filha de Itamar Assunção), Nara Gil (filha de Gilberto), Chiara Civello, Mestrinho e o singular Gilberto Gil, com seu filho Bem Gil, faziam novas leituras das dez faixas do disco e também outras músicas voltadas para a cultura negra, em uma atmosfera repleta de cores e vibrações, em que tudo era música. Ana Cláudia Nomelino, mulher do Bem, e Dom Gil, o neto do Gil, também estavam presentes e recebiam inúmeros aplausos.

Moreno deu a voz à canção Aqui Agora, em que enquanto cantava o refrão “o melhor lugar do mundo é aqui, e agora”, apontava sorridente para o público, que já estava completamente entregue ao show. Após isso, a diversão e a dança tomaram conta. Ninguém mais conseguia ficar parado.

 

A cumplicidade musical entre todos que estavam naquele momento especial chamava muita a atenção. Até mesmo um instrumento foi homenageado, o Balafon, muito comum na África, com a música que tinha os dizeres:

“Isso que toca, isso que toca
chama-se balafon
Em cada lugar tem o nome deve ser outro, qualquer no Camerum                                                                                   Isso que a gente chama marimba tem na África, todo mesmo som”.

Uma das integrantes do Refavela, lá em 77, foi chamada ao palco: Lucinha Turnbull, a primeira mulher a tocar guitarra no Brasil. Vale destacar a representatividade feminina dentro do espetáculo, em um ambiente cheio de pluralidade. Dava pra se sentir em casa ali, um aconchego gostoso e recheado de ritmo.

Até então Gil não havia aparecido no palco e sua entrada estava criando expectativas, em que pessoas já gritavam “Cade você Gil??!!”. E aí ele aparece, com seu jeito vivaz e iluminado, no melhor momento possível: quando “Jamming”, canção de Bob Marley, passa a preencher o palco. Quem estava ali na platéia não conseguia acreditar que aquilo estava rolando, tamanho o abalo que todos sentiram. A conexão com o reggae se encaixou perfeitamente à estrutura narrativa do show.

A energia do Gil era contagiante à beça. Ele cantou, dançou, tocou guitarra, e com sua blusa azul estampada se permitiu mergulhar naquele oceano musical. Nem parecia que há menos de um ano ele passava pelo tratamento de uma doença séria. Nada e ninguém consegue segurar o cantor, que emana muita alegria. e folia.

E se me é permitido dizer, o momento mais emocionante pra mim, é quando eu, arrepiada pelo corpo inteiro, chorei, mesmo quando a música “Não Chores Mais”, do próprio Gil, falava sutilmente para eu não chorar. Gil pega Lucinha pelas mãos para os dois cantarem juntos essa música e minha ficha cai. É como se eu tivesse conseguido me colocar no lugar dos dois artistas e sentido toda a bagagem deles, suas recordações e suas experiências, em meu coração. O maior aprendizado daquele show veio ali naquele instante, junto com a consciência da importância deles para a história da música brasileira. Parecia que Gil tinha olhado nos meus olhos e dito: não, nunca é tarde demais mesmo. Tudo, tudo, tudo vai dar pé.

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *