Caetano Veloso e filhos
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Todo homem precisa de uma mãe, o Brasil precisa do pai Caetano Caetano, Tom, Zeca e Moreno compuseram o Palco Brasil com muito samba e mpb

13 de junho de 2018

Por Genaro Magri 

No último sábado, dia 9 de Junho, aconteceu a 17° edição do festival de música João Rock e, para homenagear os 50 anos de Tropicália, o palco Brasil trouxe lendas da música brasileira: Gilberto Gil, Os Mutantes, Tom zé, Caetano Veloso, e a maioria deles trazendo a companhia de uma nova geração de músicos que promete dar sequência à história do Brasil.

Como eu me sinto feliz por viver na mesma época que o menino Caetano. Me sinto feliz em saber que da terra que nasceu Caetano, também brotei. Me sinto muito feliz em saber que o menino Caetano, em meio a tantas obras, nos presenteia com uma prole herdeira de tanto talento e magia. Como eu me sinto feliz em ser da mesma geração que o mais novo dos “Velosos”, desse show maravilhoso e saber que nada se encerra por aqui.

Realmente “Ofertório” não poderia deixar de ser o nome desse Show. Sim, um ofertório, Trigo e uva se tornando o corpo e o sangue de cristo, a transubstanciação da natureza em divindade. As letras e músicas se transformando em poesia que, há mais de 50 anos segue nos tocando e representando gerações. Poesia transbordando em arte e fazendo cada um de nós cantar. Mesmo que sem espaço para andar em meio à multidão, todo mundo fez cantar. Mesmo com todo o peso que cada um carrega na mochila ou na vida. Nesse show todo mundo canta.

Em meio a tantos shows acontecendo nos demais palcos do evento, shows de peso, como o da banda Natiruts. O que se via no Palco Brasil era uma multidão de jovens celebrando aquele momento sem prender suas emoções. Uma multidão de jovens adorando a história nacional que era transfigurada em música. Uma multidão de jovens mostrando a força da nossa cultura. Também havia uma pequena parcela de pessoas nas quais o tempo fez questão de deixar suas marcas pelo corpo, mas que como Caetano, imortalizaram a juventude em si. E também cantavam a história do Brasil.

É por essas e outras que, apesar de tudo, me orgulho de ser brasileiro. O Brasil é lindo, o Palco Brasil foi irretocavelmente bem representado por essa família.

Foto: Roberto Galhardo/Divulgação

1, 2, 3, 4, também teve funk no repertório. Uma inteligência criativa que chega a zombar de nós, talvez mais até do que o requebrado do menino Caetano, no auge de seus 75 anos. Um recado muito sutil pra dizer: Esse show é ofertado aos brasileiros, não é um show para a burguesia, não um show para a periferia, ao entrar nessa viagem desprenda-se das velhas amarras e manias, aqui está um espetáculo para esse Brasil de tanta graça e pluralidade. Mesmo que um pouco distante do palco, eu me senti acolhido pela multidão emocionada, pelos não raros comentários de “Meu Deus, que lindo isso”, “Que música maravilhosa”. Foi realmente lindo e as músicas realmente são maravilhosas. Que prazer existir na mesma época que os autores desse ofertório.

Essa apresentação tem a cara do Brasil. Uma irreverência bonita de se ver, as velhas canções se renovando e continuando a fazer história, as novas canções aparecendo e já sendo cantadas em coro pela plateia. O gracejo daqueles quatro em palco, com seus quatro violões, carregando tanta singeleza e alegria. Uma formação tão simples, mas que passa bem longe do simplório. Me senti em casa, me senti no quintal do meu Brasil. É lindo de se ver, é lindo de se ouvir, é lindo, simplesmente. É lindo ver como esse espetáculo nos representa, como esse espetáculo consegue nos atingir e nos alimentar a alma. Nós éramos alegres ali, transbordando emoção e alegria, e querendo “caetanear” o que há de bom.

Todo homem precisa de uma mãe, o Brasil precisa do pai Caetano.

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