Pneu murcho em fundo branco
Cotidiano

O buraco Aqui se lê a crônica de um acidente, onde o protagonista é vilão, mas não é sempre evidente

15 de agosto de 2018

Era só mais um buraco…

Imagem de Gavin Turk

Poema de Victória Rangel

 

Passando por ele, um motorista se desestabilizou

Tentava descobrir os danos do carro, com certo receio, seus sons escutou

E, enquanto pensava no conserto, no cruzamento, um motociclista não enxergou

Uma conhecida onomatopeia, “crash”,

o homem da moto voou

 

Durante a colisão, um ombro se ralou, um pedal afundou, uma roda entortou

E dentre todas essas injúrias, foi por intervenção divina, nenhum osso se quebrou

Com todas as usuais burocracias, muito tempo se passou

Afinal, todos perderam o sono,

nem tinha fome, aquele que não jantou

 

Passados todos os procedimentos, um motorista com o outro, o telefone trocou

Deram adeus, mas o mal já estava feito e, com desespero, o homem do carro chorou

Do dinheiro da luz é que virá o conserto do carro,

Da moto e do ombro do homem que foi injuriado

“Não há alternativas, temos que dar um jeito!”

Um jeito pra tudo, menos pro asfalto

 

Afinal de contas, aquilo não tinha significância.

Em meio a todos os outros, esse era só mais um buraco…

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