masturbação feminina
Cotidiano

A masturbação faz parte do autoconhecimento

22 de outubro de 2018

Créditos da imagem: Sara Lorusso; instagram.com/loruponyo

Por Hanna Queiroz

Os tabus que envolvem a masturbação feminina tiveram origem na crença religiosa, que fazia referência ao sagrado e considerava determinados atos como proibidos. Esses atos, segundo a crença da época, teriam o poder de amaldiçoar aqueles que os praticavam. O corpo da mulher sofreu uma série de repressões que eram mascaradas com a palavra tabu, mas, na verdade, não passavam de mitos.

Na Idade Média, com a ascensão do forte pensamento religioso, o sexo tinha como única função a reprodução, sem visar o prazer da mulher. Outras práticas sexuais que não englobavam a mulher sendo fecundada pelo homem para gerar filhos, eram consideradas imorais e erradas, incluindo a masturbação.

A psicóloga Ana Carolina explica que os tabus são construções sociais que foram implementados e normatizados, ou seja, é como se fosse normal ter medo do prazer feminino, pois durante muito tempo isso foi repassado como algo errado e proibido. “Mesmo diante a tantas teorias sociais e psicanalíticas, a questão central é que tudo isso foi algo construído socialmente onde a mulher sempre foi ensinada que o sexo é ‘somente após o casamento’, ou em ‘ter um único parceiro na vida para ser digna de gerar o filho dele’. São falas comuns até hoje!”, ela complementa. Esse pensamento enraizado na sociedade se reflete até hoje, quando 40% das mulheres não se masturbam e 19,5% nunca experimentou a prática, de acordo com a pesquisa Mosaico 2.0 realizada em 2017 pela psiquiatra Carmita Abdo.

O que impede as mulheres de se masturbarem?

De acordo com a psicóloga Ana Carolina, a vergonha e o sentimento de culpa são os principais motivos que impedem as mulheres de praticarem a masturbação. Fomos ensinadas a não sentir prazer, então senti-lo se torna um fardo ao invés de nos libertar das amarras do tabu. A liberdade que pode ser atingida através da masturbação é o conhecimento do seu corpo, proporcionar prazer para si mesma sem depender de um parceiro sexual, e o amor-próprio e a autoaceitação.

“Quando a mulher aceita seu corpo e aceita o prazer, percebe que a masturbação gera também uma certa independência, proporcionando prazer naquele momento em que se sente à vontade”, continua Ana. Para a jornalista Helena Botelho, “em relacionamentos heterossexuais, uma mulher que se masturba e conhece seu corpo e sua sexualidade, pode representar uma “ameaça” pro parceiro, que fica inseguro com a possibilidade de não agradá-la”.

Somente explorando o próprio corpo, a sexualidade se torna saudável e positiva. Os benefícios da masturbação para além da liberdade como mulher, são o sentimento de bem estar, a redução da ansiedade e do mau humor. Além disso, melhora a vida sexual a dois, pois promove fantasias sexuais e imaginação que estimulam a relação, aumenta o prazer sexual dos parceiros ou parceiras, melhora o sono e equilibra os níveis de estresse.

A aventura com seu corpo começou desde a adolescência para Helena, que se masturbava antes de pensar em ter relações sexuais. “Quando eu entendi o que aquilo significava, senti culpa. Mas, conforme fui ficando mais velha e me informando sobre o assunto, ficou muito claro que não tem nada de errado em se masturbar, pelo contrário: é saudável e ajuda a gente a desenvolver uma boa sexualidade com a gente e com os(as) outros(as)”. Já para a estudante de jornalismo, Giovanna Romagnoli, a masturbação não era algo que tinha importância na sua vida até pouco tempo, quando terminou um relacionamento abusivo. “Na verdade eu nunca nem tinha pensado nisso, só fui começar a me conhecer melhor quando eu senti que eu não era mais dona de mim. A masturbação é um ramo do auto-conhecimento”.

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