Entrelaço

Tabus sobre a primeira vez Cercada de mitos e inverdades, a primeira vez parece ser muito mais assustadora do que realmente é

11 de novembro de 2018

Por Milena Vogado

O ínicio da vida sexual é um marco. É um momento, muitas vezes, envolvido em intensos sentimentos, como o desejo, e, também, um turbilhão de receios. Não, não recebemos informações o suficiente antes de transar pela primeira vez. É uma situação confusa, geralmente dolorosa e desconfortável. E não, não é para ser assim. O medo não pode ser um padrão, assim como a dor e a insegurança não podem. Sexo, acima de tudo, é um ato de entrega entre as pessoas que compartilham aquele momento. O prazer é construído em conjunto, e não é certo haver interferência externa.

Contudo, muito da nossa visão sobre o sexo foi construído com base em interpretações externas, valores e morais existentes antes mesmo de nós existirmos. A sexualidade feminina é pouco explorada. Com pouco ainda difundido ao público, muito dos saberes coletivos são baseados em mitos e tabus criados em outro tempo, que mais nada tem a ver com o nosso.

Rompimento do hímen

Dentre tudo o que foi construído como verdadeiro acerca da sexualidade feminina, o hímen é um amiguinho que dá muito o que falar. Diversas teorias são criadas sobre sua existência, forma e função. Ele é comumente ligado à perda da virgindade, o que se mostra errado, uma vez que dialoga exclusivamente com relações heteronormativas. “A virgindade de uma pessoa não deve ser medida pela perda ou não de uma película, e sim através do envolvimento e das sensações que ela viveu física e emocionalmente com uma pessoa por meio dos contatos sexuais, sejam eles quais forem”, opina a terapeuta sexual e colunista do grupo Apimentadas Thaix Plaza.

Não é necessário que haja sangramento ou dor. Pelo contrário, isso seria fruto de uma relação desconfortável – e, também, de relações com ausência de consciência e vontade. É preciso que pare de ser disseminada a ideia de ligar sexo à dor – as mulheres devem ser orientadas a conhecerem seus corpos e tirar suas dúvidas apenas com especialistas.

Conheça seu corpo

Um estudo feito pela Universidade de São Paulo, em 2017, concluiu que 40% das mulheres não costumam se masturbar. Este resultado é fruto da vergonha e falta de informação, fruto do tabu. O psicólogo especialista em sexualidade Marlon Mattedi afirma que se masturbar pode ser tão comum quanto se alimentar, passear e praticar um esporte.

Nada é tão íntimo quanto a sexualidade, e ela deve ser explorada livremente. Conheça seu corpo! Ninguém é mais capaz de conhecer seus prazeres do que você mesmo. Trate a casa da sua alma com amor e sintonia, sem se importar com o que outros tenham a dizer.

Foto: Berlin Art Parasites

A masturbação é fundamental para conhecer o próprio corpo. Ao explorá-lo, é muito mais fácil identificar como alcançar o prazer, e também o que não lhe aparece atrativo. Também desenvolve a segurança e a autoestima. Acaricie seu corpo e ele irá retribuir. Descubra cada milímetro daquilo que é seu e de mais ninguém. Desfrute de si, desmonte-se em suas próprias mãos.

 

Prazer e segurança

Ao iniciar a vida sexual inicia-se também uma vida que pede mais atenção e mais cuidados. Os jovens são cada vez mais vítimas de DSTs: de acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 54,6% dos brasileiros entre 16 e 25 anos estão infectados com o papilomavírus humano (HPV). Também segundo o Ministério da Saúde, o número de caso de AIDS em jovens do sexo masculino entre 20 e 24 anos totalizaram 33,1 casos por 100 mil habitantes em 2015.

O uso da camisinha é indispensável, e também é assim o uso da informação. É imprescindível que a sociedade tenha acesso amplo e aberto à educação sexual, pois este é o primeiro remédio ante as doenças sexualmente transmissíveis. Cuide de si e do(s) seu(s) parceiros(s) ou parceira(s).

Foto: Berlin Art Parasites

Desconserte-se! Da melhor maneira que puder. Se desfaça em si e se entregue ao outro. Abandone os temores e os padrões, eles não devem compor esse momento. Se desmanche em prazer e faça o outro também desmanchar-se. Aproveite o início de uma vida de sensações.

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