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Cotidiano

Dia do leitor: 5 livros para 2019 Veja uma lista de obras que podem fazer parte da sua vida nesse ano!

7 de janeiro de 2019

Por Giovana Gomes e Hanna Queiroz

O começo de um ano é marcado pela sensação de renovação, em que estamos a todo vapor pensando em mudar ou construir hábitos em mais um ciclo que se inicia. Um exemplo é a vontade de retomar ou aumentar ainda mais nossa leitura cotidiana, não é mesmo? O hábito da leitura é fundamental para estimular nossa criatividade, ampliar nossa bagagem cultural e histórica e dar asas para a imaginação.

E pegando todo esse embalo, em conjunto com o Dia do Leitor, comemorado hoje dia 7 de Janeiro, nós separamos alguns livros capazes de mudar sua maneira de ver o mundo. Esperamos que gostem e aproveitem a oportunidade para ler e muito em 2019!

A mulher na cabine 10 – Ruth Ware

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Hanna: Se você gosta de um bom livro de suspense, essa é uma ótima escolha. Ruth Ware nos apresenta Lo Blacklock, uma jornalista que escreve sobre turismo em uma revista do ramo. Tudo começa já num tom sombrio, quando Lo passa por um acontecimento perturbador e traumatizante dentro de sua própria casa. Na mesma semana do acontecimento, ela é convidada pela revista a participar da inauguração de um luxuoso navio.

Ela pensa que a viagem pode tirar seus pensamentos do trauma recente, mas quando ela conhece uma mulher misteriosa no navio, tudo fica estranhamente bizarro. Ninguém além dela viu essa mulher, que desaparece literalmente do dia pra noite. A trama é construída com maestria e muito suspense, já que Ruth consegue traçar o perfil de uma mulher que sofre com transtornos psicológicos e é vista como louca pelo resto da tripulação, que não leva a sério e desvalida tudo que Lo diz.

Cem anos de solidão – Gabriel García Marquez

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Hanna: Preciso confessar que foi muito difícil escrever alguma coisa sobre esse livro aqui. Isso porque ele é diferente de tudo que já li. Dentre muitos personagens, Cem Anos de Solidão narra a história da família Buendía desde a fundação de Macondo – uma vila fictícia da Colômbia – até o último integrante que carregou esse sobrenome. Detalhista, o autor vai e volta no tempo para nos contar o que aconteceu na vida de cada um deles. É claro que a história do país – a Guerra dos Mil Dias e o massacre dos trabalhadores bananeiros em Ciénaga – está incorporada em toda a narrativa.

Essa obra traduz muito da História latino-americana e retrata personagens fictícios em uma vila fictícia, mas mesmo assim é tudo muito real. O nome dessa confusão que ele nos transfere é realismo fantástico. Realismo fantástico é, por definição, quando o autor incorpora elementos irreais na vida das personagens, que são vistos como normais e naturais pelos mesmos. Então pode esperar que tudo – qualquer coisa mesmo – pode acontecer em Macondo.

O Lado Invisível da Economia – Katrine Marçal

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Giovana: Se você, assim como eu, se interessa pela área da economia e sabe de sua importância, mas não faz ideia de como começar a entender um pouco melhor tal assunto, muito menos onde achar obras que falem a respeito de maneira mais acessível, esse livro é um daqueles achados que brilham os olhos. Mas não é só isso, a autora do livro e jornalista premiada Katrine Marçal questiona o modelo masculino do pensamento econômico e os papéis de gênero, ou seja, como as mulheres por muito tempo não foram vistas boas o suficiente para o mercado de trabalho e ficavam responsáveis apenas pelas tarefas domésticas.

O livro também traz à tona os problemas atuais das condições das mulheres no mundo econômico, com dados e referências, mas sempre de forma didática e fácil. Importante dizer que ela faz os recortes necessários, mostrando as vivências diferentes se tratando de raça e classe de cada mulher, e também como as empregadas domésticas continuam sendo invisibilizadas no contexto capitalista que vivemos.

Todos precisam ler essa obra, homens e mulheres, adolescentes e adultos, pois é como a própria Katrine diz: “Independentemente da elegância sedutora da matemática, não conseguimos fugir do fato de que, em sua essência, a economia se baseia no corpo humano. Corpos que funcionam, corpos que precisam de cuidado, corpos que criam outros corpos. Corpos que nascem, envelhecem e morrem. Corpos que são sexuais. Corpos que precisam de ajuda durante muitas fases da vida. E de uma sociedade que os apoie.

A Via Crucis do Corpo – Clarice Lispector

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Giovana: Me desculpem mas não foi dessa vez que não trouxe um livro da minha autora preferida! “A Via Crucis do Corpo” foi lançado em 1974, 3 anos antes do falecimento de Clarice, e tem uma carga atual bem grande. Ela mesma explica no início da obra, antes das histórias, como foi seu processo criativo e como ficou chocada com a realidade de sua escrita. São treze contos que querem dizer algo parecido: a outra pessoa é um enigma.

Na época causou uma certa polêmica, por carregar um teor mais erótico, mas Clarice não estava nem aí. Com frases mais diretas e uma carga sutil de humor — ainda que sem perder seu jeitinho filosófico de ser — ela passa por temas como prostituição, estupro, moral e bons costumes, além, é claro, da solidão e melancolia.  Sendo o mais recente lido por mim, esse livro é muito especial pois despertou novamente meu tesão e amor pela escrita, menos de um dia após terminá-lo eu estava escrevendo à mão antes de dormir e inspirada pelos detalhes do meu interior e exterior. Portanto, recomendo muito para quem acha que perdeu esse encanto em algum lugar por aí.

A Redoma de Vidro – Sylvia Plath

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Giovana: “A Redoma de Vidro” trata sobre uma mulher, às vezes engolida pelo próprio silêncio, às vezes vivendo situações extremas, e essa mulher pode até mesmo ser vista como a própria Sylvia Plath, a autora do livro. Ela se suicidou menos de um mês depois do lançamento deste que é seu único romance.

Lançado sob o pseudônimo (nome fictício usado por um autor como alternativa ao seu nome real) de Victoria Lucas, a obra mostra as experiências e os fluxos de pensamento de Esther Greenwood, uma jovem que sai do interior dos EUA para Nova York, para estagiar em uma revista de moda. O livro te surpreende a cada página, apresentando os processos e as frustrações da personagem. Como tenho que resumir, diria que é um livro doloroso e sem romantizações, mas que ainda assim consegue ser de uma beleza intransponível. Comigo, particularmente, foi uma leitura mais transformadora do que triste ou coisa parecida.

Um dos meus trechos favoritos é esse: “Deve haver um bocado de coisas que um banho quente não cura, mas não conheço muitas delas. Sempre que fico triste pensando que um dia vou morrer, ou perco o sono de tão nervosa, ou estou apaixonada por alguém que não verei por uma semana, me deixo sofrer até certo ponto e então digo: “vou tomar um banho quente.”

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