Entrelaço

Ruanda: onde o orgasmo feminino é sagrado

14 de janeiro de 2019

Por Milena Vogado 

Enquanto na cultura ocidental o orgasmo feminino é tratado com indiferença – e como tabu – há lugares do mundo que cultuam a ejaculação feminina. Um exemplo disso pode ser visto em Ruanda, país da África centro-oriental. 

É assim que o documentário Sacred Water (Água Sagrada), de Olivier Jourdain, lançado em 2016, retrata a relação dos ruandeses com o gozo feminino. Para eles, é considerado um presente dos deuses. De acordo com suas lendas, a ejaculação das mulheres alimenta os rios e enche os lagos.

O gozo feminino é a água sagrada em Ruanda. (FOTO: reprodução)

“Se, fazendo amor, o homem não faz brotar a água dela, ele se sentirá frustrado e ela, ofendida” declara uma ruandesa no documentário de Jourdain. “A vagina deve vibrar”, explica um ruandês.

Em Ruanda, o diálogo sobre o orgasmo feminino faz parte do cotidiano local. Vestine, estrela de um programa de rádio local e especialista em sexo, trata o assunto com espontaneidade, humor e naturalidade. Ela ensina jovens e adultos sobre o prazer feminino, o clitóris e suas funções.

No país africano, a ejaculação feminina não é só o ápice do prazer da mulher, mas também um ritual fundamental para adentrar na vida adulta.

(FOTO: reprodução)

Kunyaza, que significa algo como “sexo molhado”, é uma das técnicas utilizadas para chegar ao orgasmo. Nela, são exploradas as zonas erógenas da região genital da mulher com os dedos e o pênis, usando movimentos específicos a fim de estimular tanto as partes externas quanto internas da vagina.

A produção de Olivier Jourdain procurou mostrar um lado da África oposto aos seus muitos atrasos, comumente propagados pela mídia, como o machismo, a mutilação genital feminina e a miséria. O documentário concorreu a muitos prêmios, como o IDFA (International Documentary Filmfestival Amsterdam), que está entre os principais do mundo.

Em entrevista, Jourdain disse esperar que o filme ecoe a nossa própria sexualidade, e questiona: Será que nós, do Ocidente, estamos finalmente libertando-nos disso? O que realmente partilhamos em termos de privacidade? E a mulher, é respeitada?

Assista ao trailer do documentário aqui.

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