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Impedimento

Nike está discutindo machismo e racismo em seus comerciais A marca traz novamente debate sociais à tona por meio de seus atletas porta vozes

26 de fevereiro de 2019

Foto: carolyn davidson/Logomarca

Por Paula Berlim

A fornecedora de materiais esportivos Nike divulgou, na cerimônia do Oscar (24), um comercial de empoderamento feminino com a narração da tenista Serena Williams. Intitulado “Dream Crazier”, a propaganda é mais uma da série “Just Do It” – slogan tradicional da empresa – que trata de questões sociais relevantes como o machismo e o racismo.

Serena narra como o papel feminino é sempre posto em cheque quando as mulheres são chamadas de “dramáticas”, “histéricas” e “delirantes”, e as suas conquistas, desmerecidas. “Se somos muito boas, há algo de errado conosco. Se ficamos bravas, somos irracionais ou apenas loucas”. Em seguida, a narradora lista inúmeros feitos femininos no esporte que subvertem a lógica masculina de poder, tal qual como “uma mulher lutando boxe, loucura. Uma mulher enterrando, loucura. Uma mulher técnica de um time da NBA, loucura”. Serena ironiza também o fato de ter “ganhado 23 grand slams, ter tido um filho e voltado para mais um” como loucura. Ao final, a narradora incentiva o empoderamento feminino com a frase: “Então, se eles quiserem te chamar de louca, tudo bem. Mostre o que a loucura pode fazer”.

Serena Williams na cerimonia do Oscar 2019 - FOTO:REUTERS/Danny Moloshok
Serena Williams na cerimonia do Oscar 2019 – FOTO:REUTERS/Danny Moloshok

 

Histórico de posição social da empresa

Essa não é a primeira vez que a marca lança campanha com posicionamento social progressista em seus comerciais. Em uma de suas maiores polêmicas, a fornecedora contratou Collin Kaepernick, antigo Quarterback do San Francisco 49ers e responsável por um enorme protesto anti-racial na liga de futebol americano em 2016, como porta voz para a comemoração de 30 anos da marca “Just Do It”. No comercial, lançado na data de estreia da temporada 2017-18 da NFL, em outubro, Kaepernick narra “acredite em algo, mesmo que isso signifique sacrificar tudo.

O quarterback ajoelhou-se inúmeras vezes durante execução do hino nacional americano nas partidas da NFL em protesto contra a violência policial para com a população negra. Na época, a repercussão ecoou até ao presidente Donald Trump, que classificou o protesto como “desrespeito à bandeira americana”.

Kaepernick ganhou apoio de muitos colegas de profissão da liga, contudo, foi desligado da franquia de São Francisco e está de 2017 sem contrato com equipes. O atleta entrou com processo contra a NFL com a acusação de complô entre as franquias para que não o contrate como jogador de futebol americano em outubro de 2017 e foi encerrado dia 15 deste mês. Após o comercial da Nike, as vendas online da empresa subiram 31% segundo pesquisa da empresa Edson Trendis.

Os interesses mercadológicos

A sequência de comerciais com posicionamento progressista perante a questões polêmicas em volta da cultura norte-americana fazem parte da estratégia da posição da empresa no mercado. Por mais importante que sejam os assuntos tratados, a motivação motora para tais campanhas é fundamentada no entendimento do consumidor dos produtos Nikes. Em estudos da YouGov Plan and Track, 46% dos clientes tinham opinião em apoio ao Kaepernick, contra 34% dos conservadores.

Além do mais, dois terços da base consumidora da empresa têm menos de 35 anos e configura a geração que espera posicionamento político das empresas. Segundo Matt Powell, analista do setor de esportes do NPD Group, “As pessoas que compram seus produtos, sejam da geração Millenium ou Z, são consumidores que querem que suas marcas assumam posições visíveis sobre questões sociais e essa era uma oportunidade de fazê-lo, para a Nike”, conclui.

É interessante perceber como as exigências do consumidor atingem não só o nível econômico, como também social. Ainda assim, as campanhas progressistas da Nike não devem ser desmerecidas, uma vez que contribuem para a fomentação do debate no combate ao machismo e ao racismo – ainda que em nível superficial.

Assista ao vídeo da campanha:

 

 

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