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Opinião

Especial Oscar 2019: Primeira parte

18 de fevereiro de 2019

Por Giovana Gomes e Hanna Queiroz

A 91º cerimônia do Oscar está quase chegando e para continuar nosso especial, falamos um pouco sobre os indicados a melhor filme de 2019. Confira a opinião sobre alguns deles aqui embaixo e fique ligado que sai mais em breve!

Roma

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Hanna: Demorei um tempo para escrever essa primeira frase aqui. Tudo só para enrolar o fato de que é bem difícil colocar em palavras as emoções que esse filme transmite. Filme em preto e branco, situado nos anos 70, mexicano, longo. Não é sempre que se vê essas características juntas em um único filme, né? A sensibilidade com que o diretor aborda a história de Cleo é o que torna esse filme o meu preferido da categoria. Cleo é uma das empregadas domésticas de uma família mexicana e passa por situações difíceis durante o longa.

Mas, pra mim, além da emocionante resiliência de Cleo, a temática sobre a família é muito tocante. A família de Cleo são as crianças da casa em que trabalha. Ela é a babá deles e a força que ela tira para enfrentar os momentos difíceis está diretamente ligada com a relação que ela tem com os filhos da dona da casa. Além de retratar o sentimento de família por uma perspectiva diferente, o filme traz diversas críticas sociais que nos fazem refletir.

Giovana: Esse filme me lembrou uma temática mais naturalista da literatura, colocada no cinema, em que a casa, o ambiente em que se passa a trama, ganha destaque e se torna um organismo vivo mesmo. Além da casa, os cenários externos, a cidade, as revoltas estudantis, festas, o trabalho, o campo, a praia, enfim, também têm uma enorme importância, trazendo uma análise social em forma de imagens preto e branco, com muitos detalhes e cortes certeiros.

A história é minuciosamente poderosa, baseada na vida de Liboria Rodríguez, que trabalhava na casa do diretor Alfonso Cuarón quando ele era criança. Filmes que misturam memórias intimistas com contextos culturais e políticos são um dos meus tipos de filme prediletos e esse sabe fazer isso muito bem. Vale ressaltar a atuação de Yalitza Aparicio, que faz a protagonista Cleo, conseguindo transpassar as emoções da personagem, desde a serenidade até o desespero, e me deixando presa na tela até o final. Minha torcida para ganhar a estatueta vai para Roma!

A Favorita

Hanna: Empatado com Roma no número de indicações (10), A Favorita é o filme mais peculiar da lista. É um filme de época que retrata com grande exagero e extravagância a vida aristocrática inglesa. O enredo apresenta a rainha Anne, a Duquesa de Marlborough, Sarah Churchill, e a nova criada da rainha, Abigail. Sarah é a principal confidente da rainha e sua amante secreta. Mas essa relação começa a mudar com a chegada de Abigail. A nova criada gera atrito entre as duas amantes e começa a se tornar a favorita da rainha, criando uma atmosfera de rivalidade nos aposentos reais.

Os figurinos e a direção de arte são sofisticados, mas o exagero está presente principalmente no uso de câmeras grande oculares olho de peixe, que mostram de outra perspectiva a maioria das cenas. Acredito que seu intuito seja incomodar. Esse longa de Yorgos Lanthimos é uma clara crítica aos modos ambiciosos de todas as personagens, principalmente de Abigail, que lança mão de diversos artifícios para ascender socialmente. Ainda, o longa não apresenta o luxo como se fosse algo agradável, mas sim grotesco. Ao que tudo indica, a ideia do longa é mostrar que a vulgaridade e a ambição são sentimentos autodestrutivos. Então, não espere um filme que traga conforto, esse aqui incomoda.

Giovana: Esse filme gera uma inquietação mesmo, e você se sente num jogo de poder e estratégia meio intragável. A disputa pelo coração da Rainha fica cada vez mais intensa e eu, como telespectadora, não conseguia confiar em mais ninguém em certo momento do filme. E essa é uma das graças do filme, junto com sua extravagância nos ambientes e direção de arte. O trio de atrizes está impecável, fazendo papéis de mulheres complexas e potentes, os diálogos também te deixam sentir o lado mais podre das pessoas. O final pode parecer meio difícil de entender, mas na verdade, ao pensar um pouco, você logo vê que é pra te mostrar que “ganhar” pode ser muito diferente do que se imagina.

Pantera Negra

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Hanna: Quando foi lançado há um ano atrás, Pantera Negra reuniu multidões aos cinemas e se transformou na quinta maior bilheteria da história dos EUA. E a primeira bilheteria da Marvel, ultrapassando Os Vingadores. Essa é a segunda produção da Marvel que traz um negro como protagonista (a primeira foi a trilogia Blade, o Caçador de Vampiros), mas é a primeira que apresenta o povo negro.

Wakanda é o país mais desenvolvido do mundo. Ordem, segurança, harmonia, respeito, honra e tecnologia. E tudo isso com a forte presença das mulheres no governo, no desenvolvimento e no exército de Wakanda. As mulheres são as melhores guerreiras e braço direito do rei T’challa. Inclusive, o protagonismo do rei não existe. Ele divide seu papel com a diversidade de Wakanda, mesmo que sua soberania se sobressaia em alguns momentos do filme. Esse filme é sobre muito mais do que mais uma aventura de um super-herói da Marvel. É sobre representatividade. Indicação merecidíssima.

Giovana: Esse filme é lindo, lindo. De brilhar os olhos. Com a cultura africana e o poder das mulheres como pontos principais, os efeitos especiais ficam em segundo plano, ainda que muito bons nesse sentido também. Mas a Marvel acertou ao trazer as discussões sobre identidade cultural, com um elenco incrível. Não é simplesmente um filme de super-herói, é sobre a sociedade, sobre as intolerâncias que ainda atravessam o nosso mundo e a importância de conhecer a história dos povos e antepassados.

Bohemian Rhapsody

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Hanna: Assim que soube sobre o filme da banda britânica Queen, minhas expectativas foram lá em cima. Mas, com certeza minhas expectativas foram bem diferentes do que o que eu vi na tela do cinema. Ainda assim, não deixou de ser bom. Os figurinos, a ótima atuação de Rami Malek e as músicas com aquela qualidade incrível e emocionante só podiam resultar em uma coisa: muitos arrepios. Foi incrível ter sensação de conhecer um pouquinho mais Freddie Mercury e sua história. Após sair do cinema já preparada para a playlist de Queen que eu ouviria repetidamente nos próximos dias, fiquei decepcionada ao saber que alguns fatos do filme não condizem com a vida real. O porquê disso eu não saberia dizer, mas que algumas indicações foram justas, concordo.

Giovana: Como a Hanna disse, algumas cenas, talvez por licença poética ou por facilitar a condensação da vida de Freddie Mercury, não estavam de acordo com o que rolou de verdade. Como, por exemplo, o fato do cantor descobrir que tem aids apenas em 1987, e não em 1985, antes do show do Live Aid. Isso pode tirar bastante o tesão sob o filme, mas não tira todo seu valor. Eu mesma fiquei em êxtase em diversos momentos. Também realça a grandeza e a genialidade da banda Queen e os pormenores da vida de Freddie (mesmo que de maneira não tão aprofundada), mostrando que nós somos completos e suficientes mesmo com os tropeços e deslizes.

 

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