sexualidade feminina
Entrelaço

Até onde você limita minha liberdade sexual?

18 de abril de 2019

Por Carol Oréfice                                                                                      Foto: Sharon McCutcheon/Unsplash

Desde pequena, eu fui criada sabendo que eu precisava entender sobre meu corpo. Minha mãe é bióloga e sempre foi muito aberta a conversar comigo sobre sexo. E, quando eu falo isso, é principalmente sobre métodos contraceptivos e sobre como sexo pode ser perigoso.

É bem problemático se pararmos para pensar no quão o sexo é um tabu. A questão é, para quem? Enquanto vejo meus amigos homens vangloriando sobre terem transado, eu não posso abrir minha boca sobre meu prazer. É como se, ao nascer e ser designada pela sociedade como mulher, eu fosse proibida de conversar sobre sexo.

Um emaranhado de pensamentos sobre minhas experiências ao longo da vida passam agora pela minha cabeça. Não que sejam muitas experiências, longe de mim querer ser tão presunçosa aos meus infames 20 anos. Mas, o que eu quero dizer, é que já passei por algumas situações. A questão em debate não é esta. O ponto é que não posso conversar sobre isso numa roda sem ser tachada como promíscua.

Para ser bem sincera, hoje não me importa muito como me olham ou falam de mim. O que me incomoda mesmo é essa necessidade de cuidar da sexualidade feminina. E não é um cuidado saudável. É determinar com quantos caras e minas podemos transar de forma a ser socialmente aceito. Algo que os homens não precisam nem passar.

Esses dias eu estava conversando pelo Instagram com um amigo meu e eu contei para ele sobre ser chamada de intimidadora. No começo, expliquei que isso havia me incomodado bastante. Foi então que ele me disse que as pessoas não estão acostumadas com uma mulher decidida e liberta sexualmente.

Eu parei para refletir e, realmente, é verdade. Infelizmente ainda somos poucas as mulheres que não veem problemas em falar sobre sexo. Claro que não se sentir confortável com isso é normal. O que eu estou dizendo é: qual o motivo de você não estar confortável em falar sobre algo natural? Será que o machismo intrínseco da sociedade não tem um papel importante nesse aspecto?

Escrever esse pedaço de desabafo provavelmente será mais útil para mim do que para quem está lendo. Serei um pouco breve com relação a isto. Só queria dar alguns conselhos. Jamais deixe de fazer algo por vergonha do que vão pensar. Fale sobre o que te agrada e o que não agrada. Não tenha medo de conversar sobre sua sexualidade. O sexo não é e nunca deveria ser um problema. Não deixe para amanhã a foda de hoje. E, principalmente, lembre que seu prazer é tão importante quanto o do seu parceiro.

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