Nova série da Netflix: Coisa mais linda
Opinião

Coisa Mais Linda: a série que traz mais do que beleza A nova série brasileira da Netflix trata das dificuldades de ser mulher em 1950

3 de abril de 2019

Por Gabrielli Silva                                                                                                  Foto: Divulgação/ Netflix

Coisa Mais Linda é a nova série brasileira da Netflix, que se passa na década de 50 no Rio de Janeiro. A trama criada por Heather Roth e Giuliano Cedroni, conta a história de quatro mulheres, Malu (Casadevall), Lígia (Fernanda Vasconcellos), Thereza (Mell Lisboa) e Adélia (Pathy Dejesus), enfrentando dificuldades para seguir seus sonhos.

De início me encantei com a Bossa Nova, a beleza dos figurinos e do Rio de Janeiro, até cheguei a pensar no quanto deveria ter sido bom viver naquela época. Mas então, surgiu o primeiro ato de machismo e me relembrei o quanto era ainda mais difícil ser mulher no passado. Coisa mais linda, por ironia ou não, também traz a feiura de como as mulheres eram tratadas na época.

A equipe de produção também conta com mulheres na roteirização (Luna Grimberg e Patricia Corso) e direção (Julia Rezende), o que faz total diferença na maneira em que assuntos como o aborto são tratados. O roteiro também trata de bissexualidade, estupro dentro do casamento e na diferença entre a luta das mulheres brancas e negras. Enquanto Malu, branca, luta para conseguir trabalhar e ter seu próprio dinheiro, Adélia, negra, trabalha desde criança e não sabe ler e escrever.

Nem mesmo a leveza da Bossa Nova conseguiu amenizar o machismo da época – ainda bem. Entre tantos assuntos difíceis, mas necessários de serem discutidos, uma das maiores importâncias da série é acabar com o estereótipo das mulheres dos anos 50, donas de casa e submissas aos homens. A produção enfatiza a força das mulheres e nos lembra que elas tinham vontades próprias e lutavam por elas.

Coisa Mais Linda pode ser cheia de clichês, mas é uma daquelas produções que vêm para nos incomodar – algumas cenas são realmente difíceis de engolir – e, ainda sim, nos trazer força e vontade para continuar lutando.

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