dia mundial da conscientização do autismo
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Dia Mundial da Conscientização do Autismo – Os caminhos para a inclusão Entenda quais são os maiores desafios que a educação especial enfrenta

2 de abril de 2019

Por Hanna Queiroz

O autismo é um transtorno de desenvolvimento que compromete a capacidade da criança de se comunicar e socializar. Hoje, no Dia Mundial da Conscientização do Autismo, conhecer essa desordem psico-neurológica é fundamental para aumentar a inclusão social das crianças que são desde cedo diagnosticadas.

O primeiro convívio social de uma criança começa na educação infantil, logo que ela inicia sua vida escolar. Entretanto, a constatação para o transtorno autista só é realizada após os 3 anos de idade, à partir de observações de certos comportamentos repetitivos. Isso significa que não existe um exame próprio que identifique o autismo, apenas uma avaliação feita por especialistas. Esse diagnóstico, aqui em Bauru (SP), é realizado com apoio da prefeitura pela Sorri e pela APAE.

A invisibilidade do autismo gera graves consequências para esses indivíduos, como a falta de inclusão e o preconceito que surge da precariedade de informações. Na escola municipal Stelio Machado Loureiro (EMEI), em Bauru, a equipe pedagógica está preparada para quebrar esses estigmas e promover o desenvolvimento infantil das crianças com necessidades especiais, sendo uma delas o transtorno discutido no dia de hoje.

A professora titular do EMEI, Vanessa Pescarollo, explica: “Não cabe a nós fechar um diagnóstico ou estigmatizar a criança. Existe um vasto espectro autista, ou seja, vários tipos de características que formam o transtorno. O que fazemos dentro da sala de aula é observar o comportamento da criança e, se necessário, encaminhá-la para uma avaliação profissional em uma das instituições habilitadas pela prefeitura”.

Características que podem afetar o desenvolvimento social da criança. Arte: Cinco Estações

Esse encaminhamento para as instituições de avaliação especial é de um convênio que a escola possui com a prefeitura. Muitas vezes, esse processo de diagnóstico (que passa por neurologistas, psicólogos, fonoaudiólogos) pode demorar até 1 ano para ser fechado. “Aqui na escola, atualmente possuímos 6 alunos com diagnóstico fechado, isto é, comprovado como autismo, e alguns outros com características que possibilitam a presença do transtorno, mas que ainda são diagnósticos chamados de abertos”, complementa Vanessa.

O diagnóstico precoce contribui para o desenvolvimento da criança, pois quanto mais cedo se chega ao laudo positivo, mais facilmente essa criança receberá o atendimento especial que ela necessita. Isso acontece porque, quando o diagnóstico é dado, a família e a escola adotam um posicionamento diferente na educação dessa criança, abrindo a possibilidade de acompanhar a evolução do desenvolvimento escolar e social dela.

Adriana Ortega, a educadora especial da escola, lembra que tudo isso só é possível com a ajuda do professor, da família e da escola inteira. Ela acredita no progresso através do ensino colaborativo, isto é, da somatização de esforços da professora da sala, com a cuidadora, com a educadora especial e com a própria equipe da escola.

Para Adriana, o ponto fundamental é que toda a escola – não só os professores, mas toda a equipe de funcionários – tenha um olhar atencioso acerca do comportamento daquela criança. “Se a criança age com agressividade, algumas pessoas podem dizer que é birra e a situação ficar por isso mesmo. Quando a equipe possui esse olhar diferenciado sobre a situação, conseguimos contornar a atitude agressiva daquele momento que, ao invés de uma simples birra, pode significar uma crise”.

A rotina como parte fundamental da educação

A rotina é muito importante para o autista, que necessita dessa segurança como uma forma de tranquilidade. Por isso, quando há alguma festa comemorativa na escola, ou uma viagem especial com a turma, eles costumam não reagir bem essa mudança e isso pode resultar até mesmo em um gatilho para crise.

Entretanto, há formas de lidar com isso, para que a saída da rotina não provoque consequências negativas no seu desenvolvimento. Para Adriana, a educadora especial, a escola consegue estabelecer uma rotina estável, pois faz parte do estabelecimento do dia a dia do aluno. “A rotina oferece para a criança autista uma tranquilidade”, ela afirma.

Vanessa conta que o EMEI é uma referência de educação infantil em relação à inclusão. “Nós temos todo o suporte que a prefeitura pode oferecer. Eu sou a professora titular da sala, mas tenho o acompanhamento da professora da educação especial, que traz um outro tipo de abordagem. Então, juntas, nós fazemos os planejamentos e projetos com base na individualidade de cada aluno especial. Nosso objetivo é trazer a criança pra sala de aula. E esse é nosso maior desafio”.

Ela ainda reforça que a equipe está ali para trabalhar com todos, sem exclusão. “Todos nós somos diferentes uns dos outros, e é essa pluralidade que faz de nós especiais. O grande erro é tentar estigmatizar uma criança autista, pois ela é muito mais do que seu transtorno, apenas existem outras maneiras de lidar com ela”, completa a professora.

Música, yoga, contação de histórias e fantoches são alguns exemplos de projetos para levar adiante o desenvolvimento da criança. “Muitas vezes, o aluno autista não consegue realizar alguma atividade da sala de aula. Nosso papel é adaptar aquela atividade para que ele consiga concluí-la, seja adicionando elementos, seja utilizando outros caminhos”, conclui Adriana.

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