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Impedimento

Fair Play de Bielsa reacende debate sobre futebol limpo Equipe do treinador argentino devolveu gol ao adversário após lance confuso

29 de abril de 2019

Por Paula Berlim                                                                                      Foto: Jayson Braga/ Flamengo

Um lance inusitado válido pela penúltima rodada da segunda divisão inglesa reacendeu o debate sobre fair play no futebol. No caso, a equipe Leeds, do técnico argentino Marcelo Bielsa, precisava vencer o Aston Villa para ter chances de classificação direta de acesso à Premier League – primeira divisão do futebol inglês e um dos campeonatos mais disputados do mundo.  

Já na reta final da partida, Jonatan Kodijia, do Aston Villa, caiu no gramado e pediu – junto com seus seus colegas de time – atendimento ao juiz e prática do fair play do adversário, isto é, retirada da bola do campo. Tyler Roberts, do Leeds, deu um passe para frente de maneira despretensiosa, contudo, a bola caiu no pé de Mateusz Klich, que cortou para dentro da área e finalizou no canto para abrir o placar.

A briga generalizada foi instalada por conta da revolta de atletas e comissão técnica do Villa logo após o gol. Foram 5 minutos de confusão com direito a empurrões, expulsão de Anwar El Ghazi, do Aston Villa, e a validação do gol do Leeds. Bielsa ordenou a seus jogadores, então, a não resistência defensiva aos rivais com o intuito de devolver o gol e deixar o placar igual em 1×1. Confira o lance.

Em entrevista pós jogo, o argentino comentou sobre a decisão de fair play para com a sua equipe – que agora terá de disputar playoffs em uma espécie de repescagem para ter acesso à divisão principal – e a cultura de justiça do futebol inglês. “Não demos um gol, devolvemos um gol. O futebol inglês é conhecido pelo espírito esportivo, então nem preciso comentar esse tipo de coisa. É comum no futebol inglês” afirmou.

E no Brasil, o fair play é aplicado?

A prática do fair play no Brasil já rendeu episódios um tanto quanto controversos no futebol nacional. O mais recente se deu em 2017, quando Rodrigo Caio, até então zagueiro do São Paulo, avisou o juiz Luiz Flávio de Oliveira que o atacante corinthiano não cometera falta nele em jogo válido pela semifinal do Paulista, no Morumbi. O cartão amarelo aplicado ao atleta do Corinthians pelo juiz foi, então, retirado. Seria o terceiro amarelo de Jô e desfalque do atacante ao timão no jogo da volta na Arena Corinthians.

Na época, o fair play de Rodrigo Caio dividiu opiniões. Contudo, as críticas ao zagueiro repercutiram muito mais entre torcedores, mídias e até o próprio clube. O companheiro de zaga e então capitão do São Paulo, o zagueiro Maicon deu a entender que não faria o mesmo que Rodrigo: “prefiro a mãe do adversário chorando que a minha”.

Atualmente atleta do Flamengo, Rodrigo Caio comentou em entrevista ao esporte espetacular que a falta de apoio do São Paulo à atitude teria sido um dos motivos de desgaste entre o atleta e o clube, no qual Rodrigo Caio iniciou carreira aos 13 anos de idade nas categorias de base do clube.   

“No São Paulo, acho que isso foi o começo da minha saída. Principalmente a parte da torcida e do clube, que não me deu todo o suporte que precisava, me deixaram muito exposto naquele momento. Fui bombardeado de todos os lados”, disse. O zagueiro campeão olímpico ainda ressalta que não se arrepende da prática do fair play “Não me arrependo, pelo contrário. É algo que eu me orgulho muito do que fiz”, disse.

O Fair Play da FIFA

A FIFA constantemente aborda o conceito de Fair Play em seus slogans e propagandas. Na copa do mundo da Rússia em 2018, o Fair Play foi critério de desempate na fase de grupos. A última vaga para as oitavas de finais do grupo H foi decidida por tal critério: Senegal e Japão obtiveram o mesmo número de pontos, empates, derrotas e saldos de gols. A diferença ficou por conta do número de cartões amarelos: senegal tinha 6 contra 4 do Japão.

O critério, entretanto, teve sua controvérsia: a última rodada da fase de grupos é marcada para o mesmo horário para todos os times. Quando a seleção Japonesa soube da derrota do time de Senegal para a Colômbia, os japoneses apenas tocaram a bola sem objetividade ofensiva a fim de segurar o resultado mesmo perdendo para a Polônia, o que resultou em vaias no estádio. Segundo a FIFA, o critério de Fair Play é preferível em relação ao sorteio.

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