Maria Clara e o astronauta Marcos Pontes
Reportagens

Jovem de Itu é selecionada para curso na NASA "As pessoas ficam surpresas quando uma mulher quer ser engenheira"

16 de abril de 2019

Na foto, Maria Clara e o astronauta Marcos Pontes/Reprodução Facebook  

Por Victória Rangel

Maria Clara é aluna de um colégio de Itu, no interior de São Paulo, que possui convênio com o projeto “International Journey – Inspiring and Encoranging Young Minds”, oferecido pela NASA, a Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço, dos EUA. Após uma seleção, ela foi escolhida para realizar um intercâmbio na Flórida e, para poder viajar, precisa de um total de R$18.000,00, incluindo o valor do curso (R$3.000,00 dólares) e a passagem de avião. Até o momento, a jovem de 17 anos arrecadou R$1.900,00 com uma vaquinha virtual e está correndo atrás do valor que falta.

A estudante, que busca uma vaga no curso de engenharia aeronáutica em uma universidade publica brasileira, soube o que queria para sua carreira em fevereiro deste ano. Durante o colégio, participou de diversas olimpíadas e se apresentou, por dois anos consecutivos, na MOBFOG (Mostra Brasileira de Foguetes) com um grupo composto apenas por mulheres. Quando questionada se já sofreu preconceito por ser uma mulher na ciência, Maria responde “Nunca falaram nada, eram apenas os olhares e risadinhas que davam quando o meu grupo ia lançar o foguete. Nunca ligamos para esse tipo de coisa e, no final, vencemos os times de meninos.”

Sobre o curso

KSCIA, uma empresa norte-americana, é a responsável pelo projeto do qual Maria Clara fará parte. Por meio de uma associação com a atual escola da candidata, depois de aplicar provas e realizar entrevistas com os participantes, a KSCIA seleciona alunos para o intercâmbio, que inclui uma semana nos EUA, com aulas na NASA, palestras e visitas a uma escola e uma faculdade.

Apesar da grande procura de pesquisadores, o investimento brasileiro em ciência ainda é precário e esses cursos, segundo Maria, “mostram o potencial que o país tem para investir nessa área”. A jovem cientista revela “Essas pessoas que vão para outros países acabam voltando com um desejo de trazer isto para a própria nação, trazer um projeto, uma tecnologia, uma pesquisa para o Brasil; os cursos fomentam o desejo de melhorar o país.

Algum conselho, Maria?

“Parece ridículo, mas queria que as pessoas nunca desistissem”, pede a candidata que foi classificada para o mesmo projeto no ano passado, porém não pôde bancar os custos, que são muito altos. “Eu tinha desistido de tentar de novo, pois agora estou no terceiro ano e tudo gira em torno de vestibular. Foi minha família maravilhosa que me incentivou a tentar outra vez e montar uma vaquinha.”

As contribuições podem ser feitas pelo link www.kickante.com.br/. Ajude Maria a estudar na NASA você também – seja investindo financeiramente ou ajudando a divulgar seu projeto. “Ir para a NASA”, finaliza a estudante, “e estudar lá, parece uma coisa totalmente fora de alcance para uma mulher brasileira, seria um sonho se realizando. Para as mulheres, eu diria para NUNCA deixarem alguém dizer que elas não podem, para ignorar todas as risadas e cochichos, para simplesmente fazerem aquilo que amam.”

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