Impedimento

O Touchdown também é feminino Mulheres ocupam espaço no futebol americano feminino por todo país

15 de abril de 2019

Por Paula Berlim                                                                  Foto: Reprodução Facebook @AmandaBobaid

O Futebol Americano cresce cada vez mais em terras tupiniquins. A NFL (national football league), principal liga mundial do esporte, registrou aumento de cerca de 33% na audiência no canal da ESPN no Brasil. A popularização do esporte por meio da TV é também perceptível na prática do modalidade no país, entre elas o futebol americano feminino.

No país o esporte é dividido em duas modalidades pela Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA): o flag football e o full pads. A primeira consiste em uma fita (daí o termo flag, que em tradução literal significa bandeira) envolta na cintura do jogador que deve ser retirada pelo adversário. O flag é considerado menos agressivo por não conter block direto, uma vez que o alvo é a fita e não o atleta. A segunda, por sua vez, envolve o contato direto por meio de tackles e blocks entre os atletas e é a versão mais próxima da praticada na NFL. Segundo a confederação, no circuito nacional de futebol americano, 60% são de equipes femininas de um total de 85 times.

Full Pads no Futebol Americano Feminino: vai ter tackle entre as minas, sim!

No Full Pads, a formação original das equipes em campos consiste em onze contra onze jogadoras. Logo, para a equipe participar da modalidade é necessário ter grande plantel à disposição, uma vez que, no geral, o jogo pede um elenco para o ataque e outro para defesa, totalizando 22 jogadoras titulares, no mínimo, para disputa.

É o caso do Curitiba Silverhawks, equipe com estrutura consolidada para competir na modalidade. O time dispõe no seu elenco cerca de 75 atletas de futebol americano e mais dez coachs variando por estratégia e posição de campo. Existente desde 2017 de maneira independente, a equipe é pioneira da modalidade na região sul e realizou o primeiro jogo de FA feminino full pads em junho do mesmo ano. Atualmente disputa o campeonato brasileiro, previsto para começar a partir do final de julho neste ano, e o campeonato paranaense, o qual o Silverhawks é o atual campeão invicto. O elenco já entra em campo dia 28 deste mês contra a equipe do Cold Killers pelo estadual.

Jogo da equipe do Curitiba Silverhawks / Foto: Emanuelle Mattos

Como é ser atleta de Full Pads feminino no Brasil?

A diferença de gênero no esporte, assim como em toda sociedade, apresenta desigualdades entre homens e mulheres. Se no futebol soccer – considerado o principal esporte nacional – essa diferença é gritante, no futebol americano não tem como ser muito diferente. A atleta mulher a todo momento se vê forçada a conquistar espaço que deveria ser por direito desde o começo, comenta Amanda Bobaid, running back e diretora de Marketing do SIlverhawks. “Essa questão de ser feminino para mim não faz diferença nenhuma, porque eu sei que tem muita atleta que vai bater de frente com muito homem aí de muito time. Na parte técnica ou na parte guerreira” comenta Amanda.

A garra feminina também está presente para além das jardas do FA. Como exemplo, a equipe enfrenta desafios extracampos para manter o time na ativa financeiramente, ainda que o Curitibida Silverhawks tenha posição de destaque dentro do cenário nacional de FA feminino. Os gastos com viagens, reserva de campo e equipamentos de treino são bancados pelas próprias atletas. Para este ano, o clube buscará levantar visibilidade por meio de parcerias, eventos, ação social em escolas e arrecadação de alimentos. Amanda comenta mais sobre a relação entre ser mulher no futebol americano no Brasil no áudio:

Protagonismo também na comissão técnica

A participação feminina no futebol americano não está restrita apenas ao elenco de jogadoras. Assim como na NFL, que teve sua primeira mulher entre técnicos em franquia em 2015, as mulheres assumem papéis na comissão técnicas em equipes masculinas e femininas também no Brasil. É o próprio caso da Amanda, que integra junto com outras duas mulheres o corpo técnico da equipe masculina Guardian Saints. “Eu estudo muito. Estou ali para agregar, para passar conhecimento. Eu tenho certeza que vou me doar 100% como coach assim como me doo 100% como atleta no time”.

E em Bauru, existe time de futebol americano feminino?

Primeiro treino aberto do Badgers para a temporada 2019 / foto: Danilo Lysei

Existe! A equipe universitária da Unesp – os Badgers – conta desde o ano passado com time feminino da modalidade flag 5×5 e está pré inscrita na Liga Universitária de Futebol Americano (LUFA). Com cerca de dez meninas participando ativamente do time, o Badgers busca expandir a sua equipe com treinos abertos para quem deseja aprender o esporte. “Por se tratar de um time novo numa modalidade ainda pouco difundida, boa parte do treino possui caráter pré introdutório” afirma Pedro Munhoz, head coach da equipe feminina e Linebacker do time masculino da Unesp.

Para Sara Casarin, wide receiver do Badgers e estudante de metereologia, o estímulo da prática da modalidade no âmbito universitário promove a difusão do esporte além de possibilitar a ocupação feminina em espaços ainda pouco explorados. “As mulheres têm espaço em qualquer lugar, inclusive em um esporte como esse. Para mim especialmente, se não fosse estimulado como esporte universitário eu não teria oportunidade de jogá-lo de nenhuma outra forma.”  Thaílla Nunes, estudante de design gráfico, acredita que o caráter inclusivo do futebol americano é o que une e motiva as jogadoras da Unesp a representar o campus no esporte. “Gosto de como aprendemos juntas, apoiamos uma a outra e de como existe sempre uma coisa nova a ser ensinada.”, conclui.

Os treinos da equipe feminina do Badgers acontecem de segunda feira, às 19h30, no Parque Vitória Régia em Bauru, e quinta feira às 16h no Departamento de Educação Física do campus da Unesp.

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