Opinião

CRÍTICA – Cemitério Maldito: a morte da franquia

25 de maio de 2019

Remakes tem dois motivos para serem criticados: além de serem lançamentos cinematográficos, também possuem uma obra de comparação com muito fácil acesso! E é isso que farei aqui, em uma comparação um pouco injusta entre o primeiro Cemitério Maldito e seu remake de 2019, que saiu dia 09 de maio nos cinemas.

O filme já começa em um tom clichê (daqueles de quando se descobre um mistério, procura-se no Google e em recortes assustadores de livros esotéricos), com certa sonolência e um pouco de confusão – seria esse um terror dramático, místico, psicológico…?

Ao contrário do filme original, aqui, o cemitério, o verdadeiro protagonista desta história, não é assim tão grandioso. Sua estética é quase simples, apesar de o espectador estar esperando por um cenário que o deixe de boca aberta.

Os tão esperados sustos, contudo, não deixam a desejar. O diretor até adiciona pequenas reviravoltas para enganar os fãs do primeiro filme, que acreditam já estar preparados para a adrenalina que a produção trará. Aqui, Kevin Kolsch e Dennis Widmyer inserem modificações interessantes, mas que só deixam verdadeiramente curioso aquele que ainda não assistiu ao trailer (esse é o meu conselho).

Poster de Cemitério Maldito, 1989
Poster de Cemitério Maldito, 1989

Na obra de 2019, a ação demora muito a chegar. Mas, quando chega, nos dá vontade de gritar PARA!, EU NÃO TO ENTENDENDO NADA!. É possível sentir, da cadeira preta e desconfortável do cinema, a enxurrada de elementos e informações adicionados a cena, que deixam o espectador um pouquinho confuso.

Outro ponto que acho interessante ressaltar é que, no primeiro filme, a esposa era um ícone feminista mais forte do que no último. A gente chega a esperar que ela participe mais do que apenas assistir ao caos que vai dominando a casa – o seu passado, também, é muito interessante – por que não o vemos mais?

Quem aqui merece prêmios é a atriz mirim Jeté Laurence, filha mais velha do casal, que surpreende na telona, com uma clara distinção entre as fases de sua personagem, e convence o espectador com seus poucos e quase 12 anos. Quanto às outras personagens que merecem destaque, o bebê mostra-se fisicamente muito parecido com a criança demoníaca do primeiro filme! O gato da família também contribui para o suspense da narrativa, até porque, como todo bom felino, o animal já possui aquele olhar característico de quem vai dominar o mundo e acabar com a humanidade.

Jeté Laurence, em Cemitério Maldito
Jeté Laurence, em Cemitério Maldito

Ao final, naquela famigerada corrida para contar toda a história porque já não há mais tempo para produzir a obra, o drama, a culpa e as dúvidas das personagens parecem não terem sido explorados o suficiente. Entretanto, com o perdão do fato de que fazer uma refilmagem não é mole não, o conselho que fica é: assista, sim! Mas não vá esperando que ele seja mais um daqueles remakes melhores ou ao mesmo nível do filme original – como acontece em Drácula de Bram Stoker (1992), por exemplo (filme sobre o qual eu sentiria até mais orgulho de escrever).

É o que já contam, no trailer, ao espectador que nem imagina onde a história vai parar: “às vezes, morto é melhor”.

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