Impedimento

Taça das Favelas fortalece identidade de jovens periféricos na grande mídia Transmissão do campeonato das periferias pela Globo é prova da força do futebol da favela no país

20 de maio de 2019

Por Paula Berlim

Foto: Wilkernet PixaBay 

O maior torneio de futebol de campo entre favelas do mundo – a Taça das Favelas – ganha visibilidade na grande mídia e terá a transmissão das finais masculinas e femininas no dia 1 de junho direto do Pacaembu pelo grupo globo. Cleber Machado fará a narração da final masculina pela transmissão no canal aberto, e o SporTv e o site Globo Esporte farão a transmissão em conjunto dos jogos masculinos e femininos.

A transmissão é uma novidade para o campeonato, que existe desde 2012 e já passou por 12 capitais brasileiras antes de chegar a São Paulo neste ano. Para a edição Paulista, o torneio juntou 32 times masculinos e 16 times femininos selecionados por suas comunidades. O campeonato está em fase de semifinais que foram definidas em 4 partidas de cada modalidade no último sábado (18) no campo na Vila Manchester na capital paulista.

A competição é uma das provas do poder transformador do esporte. Apesar de ser relativamente recente, o campeonato já rendeu possibilidade de projeção profissional aos jovens atletas periféricos. São os casos de Erick Brendon, ex atleta do Complexo do Alemão, do Rio de Janeiro, da edição 2012 do Taça das Favelas e atual jogador do América, e Matheus Norton, que jogou em 2013 e, se destacou internacionalmente no Torneio de Terborg, na Holanda.

Mas, afinal, de onde vem o Taça das Favelas?

A visibilidade e mobilidade crescente do torneio é fruto dos esforços da Central Única das Favelas – a CUFA – uma das maiores organizações da periferia do mundo. Por meio do incentivo da produção cultural e prática desportivas nas comunidades em parcerias com empresas e ex jogadores renomados, a Central propaga a “contribuição para a promoção da inclusão social através do esporte, influenciando positivamente a realidade de crianças e jovens brasileiros. Uma oportunidade de promover a integração das comunidades, a ressignificação do território e o fortalecimento da autoestima da juventude das favelas.”

A ideia é também resgatar e valorizar o espírito do futebol brasileiro das periferias. Nomes de peso da seleção brasileira como Romário, Daniel Alves, Marta e Cafu têm suas origens em comunidades periféricas pelo Brasil. Cafu, o ex lateral e capitão do penta, é o embaixador nacional da Taça das Favelas e comentou sobre a identidade do futebol nacional em evento de lançamento da taça no Museu do Futebol no início do ano “Todas as comunidades estão aqui bem representadas, trazendo suas torcidas, seus uniformes, eu acho que vai resgatar o verdadeiro futebol, o da várzea, através da taça das favelas.”

Futebol de Cafu tem orifem no Jardim Irene, bairro carente da capital paulista. Foto: Sergio Savarese

A edição em São Paulo conta com mais dois embaixadores locais, a ex jogadora de Basquete Marta e o rapper paulista Dexter. Ambos são símbolos de representatividade e fortalecimento da autoestima dos meninos e meninas da periferia. O futebol aliado à educação, à cultura e ao empoderamento feminino são um dos pilares notáveis da Taça das Favelas.

Onde acompanhar a competição

As transmissões das próximas fases da competição podem ser encontradas ao vivo por meio da plataforma Mycujoo. Os resultados, tabela e artilharia podem ser conferidos pelo aplicativo e site oficial da Taça das Favelas. A final contará com transmissão do grupo globo direto do Pacaembu no dia 1 de junho.

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